Modelo aberto
Modelo de IA cujas partes são liberadas para outras pessoas usarem e adaptarem; pode ter só os pesos abertos ou ser de código aberto de fato, o que é bem mais completo.
Quando uma empresa diz que lançou um “modelo aberto”, vale perguntar: aberto até onde? A palavra cobre situações bem diferentes.
Primeiro, o contraste. Segundo a IBM, um modelo proprietário pertence a uma empresa e só pode ser usado por quem compra uma licença, que pode restringir o uso. Já um modelo de código aberto pode ser acessado, usado, modificado e distribuído, e até rodado na infraestrutura da própria empresa que o adota.
Agora, a diferença que importa:
Pesos abertos (open weights). Os “pesos” são os números que o modelo aprendeu no treinamento, os botões de volume de uma rede neural. Liberar os pesos é como entregar o bolo pronto: dá para comer, fatiar e até rechear de outro jeito. Mas, como explica a Open Source Initiative (OSI), entidade que cuida da definição de código aberto, os pesos sozinhos não incluem o código de treinamento nem os detalhes dos dados de treinamento. Fica difícil reproduzir, auditar ou entender a fundo como o modelo foi feito.
Código aberto (open source), no sentido da OSI, é entregar a receita completa. Pela definição de IA de código aberto da entidade, é preciso garantir as liberdades de usar para qualquer fim, estudar, modificar e compartilhar. E, para isso, precisam vir junto: informações detalhadas sobre os dados de treinamento, o código completo usado para treinar e rodar o sistema, e os parâmetros (os pesos).
Moral da história: quando aparecer o rótulo “aberto”, vale ler a licença e conferir o que de fato foi liberado: só o bolo ou também a receita.