AI washing
Prática de exagerar ou inventar o uso de inteligência artificial num produto ou serviço para parecer mais moderno ou confiável. Nos EUA, já rendeu multa a consultorias de investimento.
AI washing é passar uma camada de “inteligência artificial” por cima de algo que não tem, ou tem bem menos, do que diz ter. O nome brinca com greenwashing, aquela empresa que se diz sustentável só no comercial. Aqui, o selo é “movido a IA”.
Acontece em qualquer área, da geladeira “inteligente” ao aplicativo de dieta. Mas no dinheiro o assunto fica sério. Em março de 2024, a SEC, órgão que regula o mercado de capitais dos EUA, anunciou acordos com duas consultorias de investimento, a Delphia e a Global Predictions. Segundo a SEC, elas diziam usar IA e aprendizado de máquina de formas que não usavam. As duas pagaram US$ 400 mil em multas, somadas, sem admitir nem negar as conclusões. Foi nesse anúncio que o então presidente da SEC, Gary Gensler, usou a expressão e disse que “AI washing prejudica investidores”.
No Brasil, a CVM não usa esse nome no material que consultamos, mas o alerta é parecido. Para quem pensa em contratar um robo-advisor, a CVM recomenda checar o registro e desconfiar de promessa de “renda certa”, seja com IA ou sem ela.
Perguntas que ajudam a separar a IA de verdade da IA de embalagem:
- O que exatamente a IA faz, e o que continua sendo regra fixa ou decisão humana?
- Há resultado real, auditado, ou só um gráfico do passado?
- A empresa tem autorização para oferecer o serviço?
Se a resposta for só “é tecnologia de ponta”, desconfie.