Conflito de interesses
Situação em que quem recomenda um investimento ganha mais com uma opção do que com outra, o que pode pesar na recomendação; as regras da CVM obrigam a informar o cliente.
Conflito de interesses acontece quando a pessoa que dá o conselho também tem algo a ganhar com a escolha que você fizer. Não quer dizer que ela esteja agindo de má-fé. Quer dizer que existe um motivo, além do seu bem, que pode puxar a recomendação para um lado.
Pense no vendedor da loja de eletrodomésticos que ganha comissão maior numa marca do que na outra. Ele pode até ser honesto, mas é bom você saber da comissão antes de ouvir a dica.
No mundo dos investimentos, a CVM, que regula o mercado de valores mobiliários, trata disso com regras específicas. A Resolução CVM 179/2023 incluiu nas normas dos intermediários, como corretoras, o dever de informar o cliente sobre como eles são remunerados e sobre os potenciais conflitos de interesse. A própria resolução lista situações que merecem atenção, entre elas:
- receber comissões ou “rebates” ao vender determinados produtos;
- ganhar com taxa de corretagem, o que cria incentivo para recomendar mais operações;
- oferecer produtos emitidos ou geridos pelo próprio grupo econômico.
As informações têm de estar no site do intermediário, em linguagem simples, e a remuneração também deve aparecer no momento em que você envia a ordem de investimento. Para os consultores de valores mobiliários, a Resolução CVM 19/2021 exige identificar e reduzir esses conflitos e avisar o cliente antes de fazer uma recomendação.
Moral da história: antes de seguir uma sugestão de investimento, pergunte quem recomenda, quanto ganha e com o quê. Isso vale para gente, para aplicativo e para robô de investimento.